Vacinas e Farmacêuticas!

Por Paulo Doce de Moura, Vogal do PSD Lisboa

Até agora, a Agência Europeia do Medicamento deu luz verde ao uso de quatro vacinas contra a Covid-19: os fármacos desenvolvidos pela Pfizer/BionTech, Moderna, AstraZeneca e, mais recentemente, pela Janssen-Cilag, empresa da Johnson & Johnson.

Contudo apenas três estão a ser administradas nos Estados-membros. A vacina da Pfizer/BionTech foi a primeira a ser aprovada pelo regulador a 21 de dezembro de 2020, seguindo-se a da Moderna (6 de janeiro) e da AstraZeneca (29 de janeiro).

Mais recentemente, a 11 de março, “luz-verde” à desenvolvida pela Janssen-Cilag, farmacêutica do Grupo Johnson & Johnson, sendo expectável que comece a ser administrada a partir de meados de abril deste ano. Está previsto que Portugal receba, ao longo do segundo trimestre, os primeiros 1,25 milhões de vacinas da Janssen que fazem parte de um lote de 4,5 milhões que o país deverá ter disponível ao longo de 2021. Esta vacina distingue-se das restantes já aprovadas pelo facto de ser de toma única — o que pode ser uma peça “chave”, numa altura em que se continuam a verificar atrasos nas entregas das vacinas — e por exigir uma menor capacidade de frio no seu transporte e armazenamento.

No total, Portugal tem quase 30 milhões de vacinas contratadas.

Apesar da importância para a população, o negócio das vacinas não é assim tão importante como o resto do negócio para as restantes empresas. A medicação associada a doenças crónicas, que implica maior
regularidade na toma, é o que está na base da indústria farmacêutica.

O negócio das vacinas, no final do ano passado, pesava à volta de 2,5% da indústria farmacêutica.

Entre as quatro farmacêuticas, a Moderna foi aquela que sofreu uma valorização maior. Antes da pandemia, andava na casa dos 25 dólares e encontra-se agora a 141 dólares, as ações da Moderna chegaram a disparar mais de 840% e por consequência, atingiram também máximos históricos.

Com uma capitalização de 56,6 mil milhões de dólares (cerca de 47,6 mil milhões de euros), esta transformação da Moderna está ligada ao próprio negócio da empresa. Especialista na tecnologia das vacinas tem uma
concentração grande de negócio, nesta área. A tecnologia que a Moderna usa na vacina, o mRNA, os medicamentos à base dessa tecnologia eram, até agora, tidos como experimentais e agora toda a gente está a usar, o que é importante para a empresa.

Nota-se mais volatilidade porque a Moderna é uma empresa mais pequena, do que as outras. Aqui a vacina já tem maior peso. Numa empresa que seja mais pequena a vacina pode ter mais peso do que numa empresa com mega capitalização, que tem muitos medicamentos. A título de comparação, a capitalização da Pfizer rondava os 200 mil milhões de dólares, da Johnson & Johnson 422,5 mil milhões de dólares e a da AstraZeneca 93,86 mil milhões de libras – cerca de 140 mil milhões de dólares, à atual conversão.

Uma nota final também para a suspensão da vacina da AstraZeneca.

O surgimento de casos graves de formação de coágulos sanguíneos após a toma da vacina da AstraZeneca, que levou vários países a suspendê-la, levantou a questão sobre quem assume a responsabilidade por danos
causados por uma das vacinas aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos.

A Comissão Europeia garante que, nos seis contratos assinados para o fornecimento de vacinas, não existem cláusulas de isenção de responsabilidade legal para as farmacêuticas, ao contrário do negociado por outros países, como os Estados Unidos que oferecem cobertura total de
responsabilidade em situações de emergência sanitária, tendo um programa que financia as indemnizações por efeitos colaterais das vacinas da Pfizer/BionTech e da Moderna.

As empresas são responsáveis, em linha com as regras da União Europeia relativas à responsabilidade pelo produto. Em alguns casos muito específicos, os Estados-membros podem ser chamados a indemnizar os fabricantes, mas isto não altera a responsabilidade das empresas, graças às regras de responsabilização a que estão sujeitas, os cidadãos podem reclamar a compensação às farmacêuticas.